quinta-feira, 26 de maio de 2011

Jogos, brinquedos e brincadeiras


É importante ressaltar a definição de alguns termos:
  • brincadeira: refere-se, basicamente à ação de brincar, ao comportamento espontâneo que resulta de uma atividade não-estruturada;
  • jogo: é compreendido como uma brincadeira que envolve regras;
  • brinquedo: é utilizado para designar o sentido de objeto de brincar;
  • atividade lúdica: abrange, de forma mais ampla, os conceitos anteriores.

Ao observarmos detidamente, duas características se destacam de imediato: o prazer que envolve o jogo se contrapõe a momentos de tensão, a uma séria compenetração dos jogadores envolvidos. O jogo é prazeroso e sério ao mesmo tempo.
      É extraordinária a abrangência dos comportamentos solicitados pelas brincadeiras, pois reúnem tanto atividades físicas quanto mentais e mobilizam suas disposições cognitivas, sociais e emocionais. Assim, podemos considerá-las “importantes ferramentas de trabalho”, uma vez que atendem a uma série de objetivos.

      Entre os “benefícios pedagógicos” podemos citar:
  • a diversão, o prazer – fazendo com que ocorra uma participação ativa, voluntária e envolvente;
  • socialização – a criança aprende a viver em equipe, percebe a importância do coletivo e do esforço de cada um no resultado final;
  • para vencer um jogo é  preciso honestidade, perseverança, humildade para reconhecer suas falhas e aceitar a supremacia dos outros, paciência para aceitar a inabilidade da equipe, aprender a conviver com a vitória e a derrota, etc. . Todos esses requisitos moldam o caráter;
  • jogando, a criança faz aflorar a sua personalidade e mostra suas habilidades e dificuldades. Por meio dos jogos, o educador verifica as características de cada aluno, de cada equipe e da classe como um todo;
  • o “faz de conta” do jogo contrapõe-se à seriedade da vida real e isso é fundamental;
Além disso:
  • desperta a iniciativa;
  • favorece a autoconfiança;
  • possibilita maior concentração;
  • fortalece a rapidez de decisão;
  • auxilia na desinibição;
  • estimula a criatividade;
  • é extremamente significativo, etc. .

Assim, o jogo infantil pode ser analisado sob diferentes enfoques:
  • sociológico: a influência do contexto social no qual os diferentes grupos de crianças brincam;
  • educacional: a contribuição do jogo para a educação; desenvolvimento e/ou aprendizagem da criança;
  • psicológico: o jogo como meio para compreender melhor o funcionamento da psique, das emoções e da personalidade dos indivíduos; nas clínicas ele é utilizado basicamente para a observação das diversas condutas e para a recuperação (ludoterapia);


  • antropológico: a maneira como o jogo reflete, em cada sociedade, os costumes e a história das diferentes culturas;
  • folclórico: analisando o jogo como expressão da cultura infantil através das diversas gerações, bem como as tradições e costumes através dos tempos nele refletidos.  

Finalizando, é necessário ressaltar que uma explicação puramente teórica ao aluno é insatisfatória, mas, aliada a uma vivência prática, através de jogos, o resultado será muito mais eficaz, prazeroso e não se restringirá, assim, à transmissão de um conceito, de um conhecimento, deixando de lado a compreensão, a vivência, a criatividade, o lúdico, etc. .



Bibliografia:

·        FRIEDMANN, Adriana. “Brincar: crescer e apreender – o resgate do jogo infantil”. São Paulo, Ed. Moderna, 2002.
·        KISHIMOTO, Tizuko Morchida. “Jogos tradicionais infantis: o jogo, a criança e a educação”. Petrópolis, Ed.Vozes, 1993.
·        KISHIMOTO, Tizuko Morchida. “O jogo e a educação infantil”. São Paulo, Ed. Pioneira, 1993.
·        MARQUES, Francisco. “Carretel de Invenções”. São Paulo, Distribuidora Noova América (3675-5488), 1993.